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- 2 de set. de 2020
- 5 min de leitura
Atualizado: 17 de set. de 2020

São Gabriel da Cachoeira (SGC) é uma cidade do interior do Estado do Amazonas. Esta é a cidade mais indígena do país! Aqui temos 23 etnias indígenas e as mais belas paisagens do Alto Rio Negro! SGC é um município cercado por igarapés os quais fazem parte de várias cachoeiras que embelezam esta cidade!
Estes igarapés são fundamentais para alimentar o Rio Negro que é o principal afluente dessa região. Diante dessas informações vamos compreender a importância de manter nossos igarapés preservados? Vamos buscar esta compreensão a partir das matemáticas ambientais! Para realizar este trabalho primeiramente devemos contextualizar o ambiente com o auxílio da Legislação.
Você já conhece a Lei 12651/2012?
Esta Lei dispõe sobre a proteção da vegetação nativa, esta Lei 12651/2012 veio substituir o antigo Código Florestal de 1965.
O que dispõe nesta Lei que podemos utilizar no ambiente escolar?
Quando trabalhamos com bacias hidrográficas estaremos trabalhando com diferentes ângulos do relevo e a formação de igarapés e rios, dentro desta abordagem é imprescindível relacionar: relevo, água e vegetação. Diante desta situação o discente poderá compreender as disciplinas escolares e a legislação vigente, estudar dentro destes conceitos é um ato de cidadania.
Alguns artigos da Lei 12651/2012 os quais podemos trabalhar no âmbito de uma microbacia hidrográfica estão dispostos na Barra de menu “Legislação” deste site.
Esta Lei trabalha com os conceitos que acercam as Áreas de Preservação Permanente (APP) que são áreas protegidas e devem ser cobertas de vegetação podendo ser nativa ou exótica, cuja função é preservar os igarapés, rios, a paisagem, manter a estabilidade do solo para que não ocorra erosão e/ou selamento do solo, possibilitando que a água das chuvas penetrem no solo auxiliando na formação do lençol freático e dos rios, manter também as diferentes formas de vida animal e vegetal, assegurando assim o bem-estar da população humana.
Isto tudo baseado nos princípios da sustentabilidade que é utilizar hoje os recursos de maneira racional, para que as futuras gerações possam utilizar com a mesma qualidade que utilizamos hoje.
Nesta Lei temos a discussão de dois tipos de APP, as que se referem aos morros e as que se referem ao comprimento das matas ciliares, que nada mais é do que a vegetação que está ao redor dos igarapés e rios que pode ser denominada também de mata ripária. Segundo a Legislação conforme a largura deste rio ou igarapé deve-se ter uma determinada faixa de vegetação (art. 4º).
Essas faixas de vegetação variam conforme a largura do rio, onde rios com menos de 10 metros devem ter suas faixas com 30 metros de comprimento para cada lado e assim sucessivamente, então toda vez que a largura do rio aumentar, as faixas de vegetação aumentam em determinadas proporções conforme o artigo 4º da Lei 12.651/2012.
Diante disto, como podemos com o auxílio das disciplinas escolares descobrir a largura de um igarapé e verificar se a faixa de vegetação está de acordo com a Lei?
A proposta é trabalhar com os discentes a parte prática de: verificação do sistema métrico utilizando a trena, utilizar proporções, regra de três, materialização de ângulos e distâncias no terreno, medir os entes geométricos tudo isto levando em consideração o plano horizontal do terreno. Esta prática está descrita na Barra de menu “Tutoriais” – Área de Preservação Permanente.
Esta é uma opção para o docente abordar os termos matemáticos citados anteriormente dentro de um contexto, neste caso a Área de Preservação Permanente (APP). Uma dica é trabalhar com os discentes em uma visão totalizada do meio, podendo ser através de alguma oficina ou minicurso trabalhado no ambiente computacional.
Para esta visão utilize como base o Tutorial “Delimitação de uma microbacia” do Google Earth Pró, nele é possível delimitar a microbacia hidrográfica a qual você queira realizar a prática da largura do rio, assim o discente poderá compreender a localização da área estudada e verificar o comportamento da microbacia visualizando o direcionamento do igarapé até o leito principal.
Ao realizar a análise anterior, torna-se um ponto chave para a discussão entre docente e discentes sobre a importância de preservar os igarapés, pois sem eles não teremos o Rio Negro que é de suma importância manter esse pequeno recurso para que o rio também se mantenha.
Ainda dentro do contexto de microbacia hidrográfica, podemos com auxílio de materiais alternativos mensurar a declividade de um determinado ponto da microbacia hidrográfica. Nesta atividade que está descrita na Barra de Menu “Tutoriais” – prática de campo: declividade do terreno, o docente poderá trabalhar a trigonometria no plano vertical.
Dentro deste contexto o docente poderá abordar a coleta do desnível do terreno com auxílio de um triângulo equilátero denominado Aparato-A, o qual poderá ser construído através de uma oficina com materiais de fácil obtenção (Tutoriais: Aparato-A e Piquetes). Este Aparato-A posicionado no terreno no plano vertical forma um triângulo retângulo o qual fica de fácil entendimento a materialização de ângulos e distâncias no plano vertical.
O estudo da declividade de uma microbacia hidrográfica poderá auxiliar no estudo dos triângulos (equilátero e retângulo), com a trena medir alturas (desníveis) do terreno, e com esses dados de campo calcular a tangente do ângulo. E para que serviria saber a angulação de um terreno?
Neste ponto contextualiza-se esta prática com questões ambientais que envolvam a retirada da vegetação que acarreta: erosão do solo, perda nutrientes do solo, influência no ciclo da água e manutenção do igarapé dentre outros assuntos os quais poderão ser abordados inclusive a Legislação onde conforme a declividade do terreno não se pode retirar a vegetação.
Assim observa-se que as atividades no âmbito de uma microbacia hidrográfica são atividades práticas que envolvem questões matemáticas, porém sempre com uma aplicação prática da realidade atual.
PRÁTICA 1: ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE (APP) – TRIÂNGULOS SEMELHANTES.
Nesta prática os discentes irão compreender:
· Os discentes trabalharão em um terreno com declividade e precisarão coletar as distâncias no plano horizontal.
· Formar um triângulo retângulo no plano horizontal na margem do igarapé.
· Utilizar regra de três.
· Utilizar fita métrica/trena e visualizar a diferença de centímetros e metros no terreno.
· Com auxílio da semelhança de triângulos realizar o cálculo da largura do igarapé.
· Mensurar com a trena a distância em linha reta do comprimento da vegetação.
· Realizar uma conclusão baseada na Lei 12651/2012.
· Materiais utilizados: barbante, trena, 4 estacas, esquadro.
PRÁTICA 2: DESCOBRINDO A DECLIVIDADE DO TERRENO DE UMA MICROBACIA HIDROGRÁFICA
Nesta prática os discentes irão trabalhar e compreender:
· Sistema métrico utilizando a trena para medir o terreno;
· Confeccionar materiais alternativos: aparato-A e piquete;
· Visualizar a formação de ângulos e distâncias no plano vertical do terreno;
· Coletar dados referentes as mensurações do terreno;
· Calcular a declividade do terreno;
· Ângulos e porcentagem de declividade na área ambiental.
